A Enciclopédia Açoriana é projecto desenvolvido por uma equipa de especialistas do Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa, da Universidade Católica Portuguesa, que tem por objectivos: contribuir para a divulgação dos aspectos mais marcantes da realidade açoriana através dos tempos; ser um instrumento de difusão da cultura e constituir um elo de ligação entre os açorianos residentes no arquipélago e os seus conterrâneos ou descendentes espalhados pelo mundo.

A Enciclopédia Açoriana pretende ser uma enciclopédia regional, a primeira sobre temas e comunidades açorianos. Neste contexto tem por objectivos contribuir para a divulgação dos aspectos mais marcantes da realidade vivida nos Açores através dos tempos, ser um instrumento de difusão da cultura açoriana e constituir um elo de ligação entre os açorianos residentes no arquipélago e os seus conterrâneos ou descendentes espalhados pelo mundo.

A sua organização obedece ao propósito de incluir todas as matérias referentes aos Açores e, sempre que possível, às comunidades da diáspora açoriana. Assim, deseja-se que dê lugar de relevo a questões relacionadas com actividades culturais, folclore, música e gastronomia, educação e desporto, administração pública, militar e eclesiástica, agricultura e pecuária, caça e pesca, flora e fauna, ambiente, geologia, sismologia e vulcanologia, geografia, toponímia, arquitectura e urbanismo, actividades económicas, associativismo e beneficência, demografia e emigração, história, arqueologia, genealogia e heráldica, informação e comunicação, linguística e literatura, filosofia, política, religião, transportes, comunicações e turismo. Deste modo pretende-se que nenhum aspecto da cultura açoriana fique sem referência, seja ele lexicográfico, histórico, literário, científico, técnico ou outro dos múltiplos universos do saber.

Do ponto de vista linguístico, esta enciclopédia atribui grande importância aos vocábulos regionais, esclarecidos sob a forma de exemplo ou de citação literária, bem como aos termos das diversas disciplinas científicas.

A parte histórica reúne biografias de personalidades que se têm distinguido na literatura, na arte, na ciência, na política, etc. bem como artigos sobre acontecimentos, assuntos e organizações notáveis.

Pela corografia introduz-se grande quantidade de nomes da orografia e da hidrografia, muitos pouco conhecidos, e faz-se as descrições das cidades, freguesias e lugares, com indicação demográfica, bem como do seu estado agrícola, industrial e comercial, da sua história e de outras informações dignas de menção.

As ciências exactas, físicas e aplicadas contribuem com artigos que procuram esclarecer, de modo fácil e claro, sobre matérias técnicas e científicas as pessoas de diferentes graus de conhecimento ou mesmo leigos.

Apresentados por ordem alfabética, os artigos têm, preferencialmente, carácter monográfico para tratarem, de modo tanto quanto possível completo e actualizado, os conhecimentos e as informações sobre o arquipélago e as comunidades açorianas, tendo em vista constituir uma rede de saber, numa estrutura temática hierarquizada, que forneça aos não especialistas compreensão sobre as matérias. Os temas tratados em cada momento são enriquecidos com trabalhos de investigação. Pretende-se evitar, tanto quanto possível, as definições curtas, dando a cada questão, pelo contrário, um desenvolvimento compatível com a sua importância, embora, como qualquer enciclopédia, possa não abordar exaustivamente todos e cada um dos assuntos tratados. Para remeter o leitor para uma outra entrada em que se amplia ou completa o tema tratado, a palavra correspondente a essa entrada vai assinalada com o sinal *. A bibliografia que acompanha os artigos proporciona ao leitor outras fontes de conhecimento.

Enfim, deseja-se que esta obra possa prestar informação relevante e actualizada a quem a consultar.

LUÍS M. ARRUDA

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A ideia da elaboração de uma Enciclopédia Açoriana foi veiculada ao signatário por Pedro da Silveira, na Biblioteca Nacional, em finais da década de 1980. Em várias conversas então havidas, a ideia foi tomando corpo, ao mesmo tempo que este escritor ia registando centenas de entradas que, reunidas, constituiriam o ponto de partida para o arranque do trabalho já na década de 1990.

Depois de elaborado o projecto, viria a merecer a aprovação e o apoio da direcção do Centro de Estudos de Povos e Culturas de Expressão Portuguesa da Universidade Católica Portuguesa e o entusiasmo de Roberto Carneiro, presidente da Direcção, também ele um “homem das ilhas”, pois que nelas passara toda a sua juventude.

A equipa coordenadora fora-se constituindo. Enquanto que o signatário se ocupou da coordenação geral da obra até Outubro de 1997, Luís M. Arruda, quase desde o começo, teve a seu cargo, primeiro, a área das denominadas Ciências Exactas e Naturais e depois a coordenação-geral, desde Novembro de 1997. Jorge Couto tomou a condução do secretariado-geral, que viria a deixar em Janeiro de 1998, quando foi substituído, sucessivamente, por Paulo Pinto (até 2003) e depois por Luís Pinheiro. Das Ciências Humanas se encarregaram durante algum tempo Eduíno de Jesus, depois Luiz Fagundes Duarte e depois deste Carlos Enes. Imperativos da vida e exigências do projecto impuseram estas alterações.

Mas a concretização de uma enciclopédia nos moldes em que esta foi pensada, exige um investimento financeiro considerável. Por isso houve que procurar apoios. Encaminhado o projecto para o Governo dos Açores, com vista ao indispensável financiamento, ganharia a simpatia e o patrocínio da então Direcção Regional dos Assuntos Culturais, hoje Direcção Regional da Cultura, através da concessão de um subsídio anual. É justo referir o empenhamento pessoal do então presidente do Governo Regional dos Açores, João Bosco Mota Amaral, bem como o do actual presidente, Carlos Manuel Martins do Vale César. Felizmente, tal procedimento também foi adoptado pelo então governador de Macau, Vasco Rocha Vieira que, tendo ficado para sempre ligado aos Açores, teve presente os muitos açorianos que, ao longo dos séculos, deram valioso contributo para a história da presença portuguesa no Oriente e, designadamente, em Macau e em toda a China.

ARTUR TEODORO DE MATOS

 
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